segunda-feira, 14 de maio de 2012
Estrutura Física de uma casa de Angola.
O barracão da nação Angola chama-se abassá (quer dizer casa ou terreiro).
O barracão se divide em várias partes de rituais e litúrgicas.
1- Sambilê – espaço físico aberto onde se realizam os rituais de acesso ao publico.
2- Angomi Duilo – chamado em outras nações de cumeeira, é a parte mais sagrada do abassá, pois ali esta concentrada a energia geradora de toda força da casa chamada no Angola de (kala/muki).
Dividem-se me duas partes:
O Duilo representação do infinito, parte superior e Iungo parte inferior ou Ixi (chão da casa) onde estão concentradas as energias dos ancestrais.
O Angomi Duilo superior é dedicado ao Nkise do tateto ou mametu do abassá, devendo ser plantado na parte superior os benguês (assentamentos dedicados a Zazi, a lembá, Ndandalunda, Mikaiá que são considerados os deuses encarregados da criação das espécies).
No Iungo (chão da casa) que no angola chama-se de Lamburú, nele esta contida as energias telúricas relativas aos ancestrais.
O assentamento do chão da casa recebe o nome de lamburú por que é relativo a uma qualidade de Kavungo encarregado da transformação das matérias através da putrefação.
Com este Nkise do chão come três Numbis (eguns), baba Egum que recebe os nomes de:
Tata Zumbe, diazumbe, guzumbe, que são representados no próprio assentamento do Nkise Lamburú.
Inzo Pangiro – é a casa destinada ao exu do tateto ou mametu responsável pelo barracão onde são colocados também os benguês dos filhos da casa.
Quando o barracão é inaugurado planta-se primeiro o exu ancestral (este exu chama-se yombe) exu dono do corpo da pessoa a força mágica ligada aquele ser no quadragésimo quinto dia da vida interina.
Yombe não recebe sacrifícios de animal somente comidas secas, frutas, doces, e bebidas, e come todas as comidas de qualquer Nkise.
Lembaci – é o quarto destinado aos jinkise do dono da casa.
Kassimba (poço) – nos terreiros do angola o poço deve ficar a frente do abassá sendo oferecido em obrigações ao Nkise Zumba.
Indemburo – é a parte sagrada da casa onde são realizadas as obrigações.
Na casa de angola este quarto recebe tratamento especial, suas paredes internas e externas são pintadas de cal. As paredes recebe uma massa feita com a fusão de 21 ervas e excrementos de boi fresca, sendo esta massa salpicada ao redor de toda a parede na altura do umbigo do dono da casa.
Inzo jawá – é o quarto sem telhado destinado ao banho de ervas.
Pagodo/katuji – é o banheiro.
Inzo kitembu – é o local reservado a frente do barracão onde é erguido o benguê do Nkise vulgarmente conhecido de tempo.
Seu assentamento é feito as vezes em panela de ferro ou vasilhame de barro, formado de uma ferramenta simbolizada por uma grelha de ferro, escada, mesa, cadeiras, chaves, símbolos do sol e da lua das direções dos ventos e das estações do ano, as quais governam. Geralmente é consagrado aos pés do jenipapo ou cajazeiro, folhas com as quais se faz os principais fundamentos. É erguido naquele local uma vara de bambu trazendo na ponta uma bandeira branca onde são colocadas 7 saquinhos de morim branco contendo pipoca e cereais torrados para representarem a fartura.
Quando a vara com a bandeira é erguida espeta-se na ponta do bambu uma cebola descascada, fazendo a ligação deste Nkise com a fartura desejada.
Inzo yombetá – é a casa de numbi (Egum) recebe tratamento especial das mãos do tata numbi cargo este exercido somente por homem, não podendo ser cuidado por mulher pois há kidila por causa da menstruação. Os fundamentos de numbi devem ser feitos por filhos de Matamba ou Kavungo.
Inzo kalungombe – é a casa dedicada aos santos do morto. Em outras nações é chamado ilé igbó ikú.
No culto angola quando morre o dono da casa, depois de cumprido os rituais mortuários, os principais jinkise da cabeça do morto terá seu benguê colocado nesta casa onde receberam tratamentos das mãos de uma pessoa para este fim designada.
O Nkise principal do morto escolherá posteriormente através do tata nganga (jogador de búzios) por intermédio do jogo. Se isso não for feito em vida o novo zelador ou zeladora que o sucederá no terreiro deverá fazer.
O Nkise principal do morto receberá o titulo de mukuadime, que quer dizer o mais velho da casa, continuando a governa-la como um ancestre, dando sua ordem através do jogo, como o Nkise não morre continuam recebendo obrigações e mensalmente o kizelo (ossé).
O novo zelador ou zeladora escolhido antes ou depois da morte do dono da casa recebe o titulo de Kutala, que quer dizer herdeiro (a palavra kabumgombe quer dizer morte).
Jurema ou aldeia – é o local reservado aos benguês de caboclos, principalmente boiadeiros próprios de alguns cultos do angola.
1- Caboclos de couros (boiadeiros)
2- Caboclos de pena (ligados à pajelança indígena)
3- Caboclos juremeiros (ligados à parte medicinal do culto através das bebidas com ervas e raízes curativas)
Inzo muzambu ou apejo – é o quarto dedicado ao jogo de búzios. O termo inzo muzambu quer dizer casa do adivinho.
Inzo kassumbenka ou gonzemo – é o quarto dedicado aos benguês dos jinkise dos filhos de santo da casa. Em outras nações recebe o nome de peji.
Pepelê – local reservado ao conjunto dos 3 atabaques:
O maior – Ngoma
O médio – ajengoma
O pequeno – congue ou goma
Os atabaques são destinados aos jinkise da casa, o maior é dedicado ao santo do dono da casa, o médio ao Nkise odabé (junto), e o menor a lembá.
Normalmente são encorados com couros de bichos quadrupedes, sacrificados durante as obrigações.
Quando na época de se encorar os atabaques eles são lavados com as jinsaba próprias dos jinkise para os quais foram dedicados. Forra-se em seguida o Ixi (chão) com uma dixisa deita-se os atabaques com o lado encorados voltado para dentro do barracão e a boca oca voltado para rua. Depois eles são cobertos com pano branco acendendo as velas na cabeceira onde serão colocadas as comidas correspondentes a cada Nkise dono dos atabaques, em seguida dá-se o prosseguimento ao ritual litúrgico fazendo o Iparubó (matança), sacrificando-se para os couros bichos de pena, recebendo os mesmos a Menga como se fosse um ritual de Obori.
Os atabaques descansam naquele local e naquela posição durante 3 dias, depois, as obrigações serão suspensas, não despachando-se o carrego fora do barracão, o mesmo será colocado aos pés dos troncos de arvore onde ancestrais são cultuados. Depois os atabaques são levantados por 3 vezes sendo colocado no local adequado e a partir dai não mais poderão ser voluntários ou involuntariamente deitado ou deixado cair, pois acarretará grande kidila para a casa sendo que o causador da queda terá que providenciar nova obrigação para os atabaques arcando com todas as despesas.
Obs. Os couros que forem oferecidos serão pendurados durante um longo tempo nos galhos das arvores dedicado ao Nkise kitembu depois serão retirados e despachados no interior da mata.
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